Cristina Siscar

Fotografia: Christian Carle Catafago, San Telmo 2012

Cristina
siscar

Exilada na França durante a ditadura cívico-militar, retornou à Argentina em 1986 com seu livro de poesias Tatuagens/Tatuagens. Enquanto a sonoridade bilíngue de sua literatura se apropria do cinema para empreender um mundo literário que engloba a história e o ensaio. Essas transferências constroem extensas paisagens animadas por uma palavra curiosa e de enredo. seus romances País de areia e a sombra do jardim e o ensaio A viagem. roteiros de leitura eles consideram a visão de um Stalker: uma concepção inquieta cuja missão é a própria maravilha.

Entrevista por
Oscar carballo 

AL-Adorno ensaia em seu livro Reação e progresso –sobre a obra tardia de Beethoven–, que "a força da subjetividade reside na imprevisibilidade do gesto com o qual se escapa precisamente da obra de arte" ou seja, em Tanto que pode abandonar o status de obra de arte e se tornar uma composição, limpa, poderosa, mas fora de toda retórica. Ele até o diz desta forma brilhante: «Beethoven deixa de recolher a paisagem, agora abandonada e distante, para obter a sua própria imagem» Cristina, você disse algo semelhante sobre a escrita, que você define como um traço, um resíduo e não um fim «a escrita seria o olhar distante daquilo que outrora olhávamos de perto, uma cena gravada na mente que se perdeu no tempo»

CS- Sim, uma manhã, ao acordar, me peguei repetindo aquela frase assim, palavra por palavra, como se a estivesse lendo enquanto estava sendo escrita no ar diante de meus olhos recém-abertos. De verdade. A frase em si parecia o resquício vívido de um sonho. Até então, eu já havia escrito vários livros de contos, ensaios e um romance. Então não demorei muito para perceber que aquela frase definia minha forma de conceber a literatura, ou seja, tanto a escolha dos materiais quanto seu tratamento, o lugar em que me posiciono no momento da escrita. Um pouco como o personagem Perseguidor, o filme de Tarkovsky: como se resgatasse fragmentos de objetos, de tempo, de cenas, vestígios de histórias que recuperam intensidade e sentido na história com fascínio e espanto.

AL- Há muita natureza viva em seus textos, ordenação, e até uma certa taxonomia que às vezes se aproxima de um modelo de Lineu. Pode ser visto, descreve naturalmente espécies, mecanismos, geografias, modos sociais. Uma revelação que dá paz ao leitor, mas que postula para o narrador uma forma de sabedoria sobre o desconhecido que o preocupa.

CS- Claro, é o ponto de vista do perseguidor, uma mistura de atenção e estranheza que o faz observar minuciosamente o desconhecido, de tal forma que o que é descrito parece menos fantasmático e ao mesmo tempo evidencia sua alienação, pois o familiar ignora os detalhes. Estou tão feliz que você apontou isso. É minha preocupação primordial: conseguir por escrito aquele olhar estrangeiro que ficou como marca do exílio.

AL- Um longo exílio de sete anos.

CS- Sim. Mas é também uma escolha, uma decisão de tomar partido do visual, que para mim é o que dá corpo a um texto. Por isso prefiro sempre o singular ao genérico: dizer, por exemplo, que o único ser vivo que alguém encontra numa cidade é um freixo e não apenas uma árvore (em país de areia). Ou descreva as batidas que a bibliotecária francesa aplica com a mão na capa da enciclopédia (em a sombra do jardim). Parece-me mais revelador de um caráter do que qualquer adjetivo, por mais preciso que seja.

«No momento em que escrevo resgato o ponto de vista do perseguidor; uma mistura de atenção e estranheza onde se pode observar minuciosamente o desconhecido»

AL - E os objetos? Para alguns autores, os objetos de uma narrativa parecem ser meros articuladores. No mundo solitário de Onetti, por outro lado, as coisas existem depois de descartadas, degradadas.Qual é o espaço dos objetos em sua literatura e como eles operam dentro da narrativa?

CS- Em muitos casos funcionam como analogias do que é narrado (as coisas que o protagonista exilado perde em a sombra do jardim) ou, ainda, como metáforas do que entendo por literatura, conforme a definição de que falamos anteriormente (a ânfora intacta que um mergulhador descobre no fundo do Mar Vermelho, e todas as questões que esse achado gera, no mesmo novela). Mas eles sempre têm uma dupla ou tripla função: além de contar uma história, referindo-se a algum momento da vida de um personagem, cada um deles contém uma história em si e, às vezes, quase como pseudo personagens, também são representantes de uma cultura. Novamente, em a sombra do jardim há um exemplo muito ilustrativo: a noite em que todos os amigos ali reunidos - de diferentes origens, raças, línguas - escolhem o objeto que gostariam de sobreviver e de alguma forma os representam quando se vão. Por outro lado, tenho um livro de histórias, efeitos pessoais, totalmente dedicada aos objetos fetiche e roupas de uma adolescente, “aquela garota que eu era”. Objetos autobiográficos que se abrem como caixas de Pandora. E a mesma coisa acontece, eu acho, com aqueles que aparecem na série de poemas que estou escrevendo.

«Prefiro sempre o singular ao genérico: dizer, por exemplo, que o único ser vivo que se encontra numa cidade é um freixo e não apenas uma árvore»

AL- Exile sempre discute uma forma de perceber. Onde se abriga o mundo interior e para onde se move o impulso e o desafio de habitar uma forma sempre provisória em relação à identidade?

CS- Eu vivi aquele tempo (aquele tempo entre parênteses) numa espécie de estado de choque, que me abriu as portas da percepção sem necessidade de nenhuma droga. Ele investigou o real a ponto de se tornar quase irreal, sempre atravessado por uma sombra de dúvida. O real aqui e ali. Porque a minha vida transcorreu simultaneamente em dois lugares: o passado, a memória, onde me via refletido como num espelho, e aquele outro que era puro presente, onde não havia testemunho do meu passado, aquele que apenas parecia existir nas minhas histórias. Ou seja, fui uma ausência na memória dos outros e, ao mesmo tempo, minha vida no exílio foi e é uma lagoa, uma amnésia, para quem ficou. Mais cedo ou mais tarde as pessoas percebem que a identidade está longe de ser algo inequívoco, construído de uma vez por todas. Como a memória, ela é montada com fragmentos em um desenho provisório e inacabado.

AL- Viver e escrever no exílio pode proporcionar uma aproximação imediata com um passado desconhecido, principalmente com a história de uma cultura que mal conhecemos dos livros. A observação concreta desse mundo original atravessa a experiência sensível, a arte e até as ciências. Em relação à sua experiência na França, como você se relaciona com essa cultura? Quanto impacto essa viagem teve na sua forma de expressar a realidade de seus personagens?

CS- Sempre digo que aqueles anos na França me abriram um leque cultural que ainda me dá ar. De poder contemplar, a dois metros de distância, os nenúfares de Monet, a ter consciência de caminhar pelas mesmas ruas, em frente aos mesmos prédios, onde tantos seres anônimos protagonizaram acontecimentos que marcaram os rumos da humanidade. Porque ali, pelo menos até então, as obras do passado -sua memória em tudo o que foi criado e construído ao longo dos séculos- constituem um patrimônio exclusivo, indiscutível e intocável.

«Os objectos têm sempre uma dupla ou tripla função: para além de contarem uma história, referindo-se a algum momento da vida de uma personagem, cada um deles contém uma história em si»

AL- Por exemplo?

CS- Num verão, de férias no sul da França, subi o rio Vézère em uma canoa, que percorre um longo trecho ao pé dos promontórios rochosos, em cujas cavernas viviam homens e mulheres Cro-Magnon, que deixaram seu testemunho ali, na arte rupestre de Lascaux; depois o terreno ondula em suaves colinas, sobre as quais se destaca um palácio neoclássico e, mais adiante, a espreitar de um bosque de azinheiras, um castelo renascentista. Durante aquela viagem, assim como quando visitei certos lugares em Paris, senti que eu, ou seja, a exilada argentina com toda a sua história, me tornei transparente, quase tão fantasmagórica quanto os caçadores de bisões que vi nas bordas de pedra, seguidos por a sombra de um duque de peruca do século XVIII. Que alimento para a imaginação, certo? Tudo isso sem levar em conta que Paris é um corredor planetário. Lá ele poderia conhecer uma herdeira dos antigos persas, um árabe, um senegalês, ou ver, por exemplo, durante vários dias, uma maravilhosa encenação do poema épico da Índia nas ruínas de um teatro incendiado. Estas experiências deram e continuam a dar origem a um leque muito variado de personagens solitários, que, em geral, só hoje conhecemos. É também daí que vêm os meus temas e viagens, como a forma narrativa que prefiro.

«Paris é um corredor planetário; Essas experiências deram e continuam a dar origem a uma gama muito variada de personagens solitários"

 AL- O exílio pode mudar a forma de escrever? Como opera o desenraizamento no campo estético?

CS- Agora acho que das histórias escritas em Buenos Aires, antes do exílio, só resgatei uma, “El andén”, que está no livro Reescrito na névoa. Bem, este é agora um título programático. Porque, efetivamente, “o olhar distante”, ou através da bruma, “do que outrora olhávamos de perto”, é a primeira marca do exílio na escrita. Já na primeira frase, antes mesmo, na primeira imagem que me aparece do que mais tarde será um conto ou um romance, o essencial é encontrar, construir, como já disse, a voz narrativa capaz de dar conta aquele olhar estranho e intenso. Ao mesmo tempo, como nunca antes, devido ao bilinguismo, a questão da linguagem vem à tona. Por um lado havia o francês, a língua da comunicação, do trabalho, das relações sociais; e, por outro, sobressaindo em contraste, a linguagem das memórias, dos sonhos, da escrita: minha língua materna, esse espanhol fluvial que aqui parecia algo tão “natural” quanto uma mão, e ali surgia como outra realidade para investigar, objeto de maravilhas e jogos com amigos.

«A primeira condição para ser escritor é ser um grande leitor, mas um leitor muito especial, sempre armado com uma lupa: um estripador de livros»

AL- Pode-se dizer que ser escritor é uma decisão consciente mais próxima de uma necessidade do que de uma especulação. Mas como acontece com qualquer outra atividade que se torna central ao longo do tempo, a mesma razão que nos leva a ser carpinteiros, biólogos ou matemáticos não seria tal sem uma forte percepção do que se deseja. Até que ponto a educação formal é necessária para o desenvolvimento das artes e, em particular, da literatura? Você sempre percebeu que era um escritor?

CS- Mais do que educação formal, acho necessário, indispensável, eu diria, ser apaixonado pela arte que se pratica ou quer praticar. O que implica dedicar-se com devoção a conhecer o objeto de amor em todos os seus aspectos. Em outras palavras, a primeira condição para ser escritor é ser um grande leitor, mas um leitor muito especial, sempre munido de uma lupa para que, além de poder localizar cada texto na história da literatura, possa analisá-lo e compará-lo com outros.

AL- A cozinha?

CS- Isso mesmo. Como isso é feito? É a pergunta que acompanha inevitavelmente as leituras de um escritor, um estripador de livros. Agora, no meu caso pessoal, é verdade que ensinar literatura me ajudou muito, sim, principalmente como leitor, o que só reafirmou meu desejo de me dedicar à criação literária. Deu-me um mapa para percorrer as várias literaturas europeias, americanas e argentinas, o que me permitiu parar mais tarde sem muitos desvios nos lugares que mais me interessavam. Deu-me as ferramentas para descobrir, compreender e saborear a riqueza de um texto, ou seja, como um escritor faz das palavras um mundo. Além de abrir o leque de questionamentos e debates sobre as diferentes formas de conceber a literatura, questões que permeiam a obra de todo escritor.

«Uma imposição de mercado é, por definição, algo completamente estranho à literatura»

AL- Que tipo de bolha um escritor pode se impor em um café para escrever sua obra, ou seja, isolar seu mundo das múltiplas contingências de um lugar público? Ou trata-se simplesmente de aproveitar essas transferências como um mecanismo capaz de dar corpo aos personagens e até mesmo argumentar oportunamente uma história?

CS- Eu não consigo escrever em cafés há muito tempo, anos, já que fumar não é permitido, eu acho. Não consigo escrever em lugares de passagem. Na melhor das hipóteses, tome algumas notas ou grave-as em minha memória para elaborar mais tarde. Nos cafés, prefiro não me isolar, pelo contrário: fui e sou particularmente sensível a essa fugaz intersecção de mundos, na qual posso mergulhar um pouco dando asas à intuição, à imaginação... O café cenas que estão em Algumas de minhas narrações se nutrem dessa observação e de minha própria experiência de encruzilhadas inesperadas, de encontros surpreendentes. E nunca são cenas sem graça. A história "Uma imagem fugaz" decorre inteiramente neste espaço, onde os destinos das personagens parecem participar do contingente e do fortuito, típicos do lugar.

"Não consigo escrever em cafés há muito tempo, anos. Nos cafés, prefiro não me isolar, pelo contrário: fui e sou particularmente sensível a essa fugaz intersecção de mundos»

AL- Seus textos são lidos naturalmente; com grande fluência. Você lê seus próprios textos em voz alta?

CS- Sim. Quer dizer, no começo eu lia em voz alta, agora eu só tenho que ler em silêncio, porque eu já consigo ouvir mentalmente como elas soam.

AL- Quanta correção cuidadosa, a releitura acaba transformando um texto regular em literatura?

Depende de cada autor, de cada texto e das circunstâncias, eu acho. No meu caso, em geral, parto de um rascunho anterior, e o texto "final" é submetido a várias releituras, a última muito tempo depois de ter sido escrita.

"No começo eu lia meus textos em voz alta, agora eu só os leio silenciosamente, porque eu já sou capaz de ouvir mentalmente como eles soam"

AL- Cristina, que tipo de coragem é necessária em escritores para remover duas ou três páginas desnecessárias de um texto acabado? Ainda bem escrito, claro.

CS- Depois de trabalhar dois anos e meio no meu primeiro romance, a sombra do jardim, e quando o considerei terminado, dei-o para ler a um grande amigo, Héctor Libertella, que era um escritor brilhante e um crítico perspicaz. Héctor simplesmente me disse: "Olha, ele ainda tem um pouco de celulite". Assim, nos seis meses seguintes, revisei cada linha com uma lupa, determinado a remover, não sem dor, tudo o que sobrava ou gratuito. Resultado: o romance ficou com vinte páginas a menos. E sim, é preciso coragem para enfrentar essa tarefa extremamente ingrata. Mas a coragem nasce do amor ao trabalho, que deve prevalecer sobre o nosso próprio amor e ser superior a qualquer paixão por uma palavra ou frase que tenha de ser sacrificada para que o texto seja o mais semelhante possível ao desejo que o originou.

«A linguagem da cinematografia foi e continua a ser para mim uma fonte de aprendizagem, de uma riqueza incalculável»

AL- Estou pensando na curta extensão de alguns textos, o “Na colônia penal” de Kafka ou o “Bartleby, o escrivão” de Melville; até os inúmeros romances de César Aira. No entanto, algumas editoras avaliam os textos com base no número de páginas e no preço final do volume. É possível adicionar páginas a um texto finalizado de acordo com uma imposição do mercado sem distorcer seu significado como obra?

CS-Y adeus, de Onetti, e Pedro Páramo, por Rulfo, ou um mais recente: La morto, de Susana Szwarc. São joias, e acho que deixariam de ser se tivessem mais páginas. "Uma imposição de mercado" é, por definição, algo completamente estranho à literatura. Em toda verdadeira criação artística, a extensão, a duração, o formato obedecem apenas à necessidade da obra, sua peculiaridade, e à própria maneira de concebê-la do autor.

«A coragem nasce do amor ao trabalho, que deve prevalecer sobre o nosso próprio amor e ser superior a qualquer paixão por uma palavra ou frase»

AL-Hegel destaca a música e a literatura como os discursos livres da arte mais apropriados, pois carecem de propósito. As artes visuais, por outro lado, podem ser úteis e eventualmente decorativas. Um fator radical intervém nesse discurso: quem encomenda a obra. A literatura pode se tornar uma arte menor?

CS- Há muitos esforços por parte de algumas editoras para simplesmente banir a arte dos livros que publicam, a ponto de subestimar o autor, e principalmente o autor, que não segue suas diretrizes ao pé da letra, censurando-lhe, no mínimo, sua imaturidade . Mas, nesta era de produtos descartáveis, onde o audiovisual e o entretenimento prevalecem sobre o livro em qualquer um dos seus formatos, parece-me que a literatura tende a assemelhar-se mais às Belas Artes.

AL- Seus personagens, ou melhor, o mecanismo que sustenta sua escrita, é visivelmente cinematográfico; ou seja, cenas claramente funcionais à trama, como se não bastasse a palavra que busca também uma articulação com a ação e o parlamento. De fato, os personagens às vezes se veem como se fossem retratados por uma câmera ou como parte de uma cena da qual são parte incontornável. O mecanismo do cinema é uma vontade consciente, ou simplesmente um gosto estético; influência dessa técnica visual em sua literatura?

«O cinema exerceu uma influência maior do que a literatura nas minhas narrações, e também na minha poesia»

CS- É tudo isso ao mesmo tempo e acho que também é a vontade de ver meus romances virarem filmes. A linguagem do cinema foi e continua sendo uma fonte de aprendizado para mim, de uma riqueza incalculável. Na construção de cenários e na relação entre ação e diálogo, claro, mas também no ponto de vista – por exemplo, a localização da câmera em O pântano o A mulher sem cabeça por Lucrecia Martel-, nos procedimentos narrativos, como as elipses, aquelas lacunas que preenchem ou completam a imaginação do espectador ou leitor, -notáveis ​​nos filmes de Jane Campion-. Sim, reconheço que o cinema exerceu uma influência maior do que a literatura nas minhas narrações e também na minha poesia. Sem falar no mais óbvio: a imagem visual, de enorme importância, muitas vezes a “chave” de um texto. É um verdadeiro desafio condensar, na linguagem verbal, uma imagem capaz de sugerir reflexões e explicações sem a necessidade de enunciá-las, evitando assim o peso da narrativa. Eu gostaria de ser, além de escritor, pintor e diretor de cinema. Fiz um curso de fotografia no Fotoclub Buenos Aires e experimentei em meu próprio laboratório, quando comecei a escrever; e recentemente participei de um curso de documentário, ministrado por cineastas, na Associação de Documentalistas.

“O familiar ignora os detalhes”

AL- Existe um momento na prática da literatura em que se possa avaliar que ele já disse tudo o que tinha a dizer, ou é uma fonte inesgotável?

É um desejo insaciável. Do medo do vazio ou da falta de sentido, se você parar de escrever. E do que só um sabe: as portinhas que ficam em cada texto, esperando ser abertas para descobrir tudo o que ainda não dissemos. um adiantamento para Campus imagem: meu último romance, Vestígios, ainda inédito, articulando pesquisas sobre o assunto -ruínas, vestígios, fósseis- e diversos momentos da vida de um jornalista em uma cidade que agora é apenas memórias de uma cidade, converte minha forma de entender a literatura em forma e conteúdo.

Oscar Carballo, Mar da China, fevereiro de 2022